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QUANDO OS HOMENS FOREM MELHORES, AS REFORMAS SOCIAIS VERDADEIRAMENTE ÚTEIS SERÃO UMA CONSEQUÊNCIA NATURAL.

QUANDO OS HOMENS FOREM MELHORES, AS REFORMAS SOCIAIS VERDADEIRAMENTE ÚTEIS SERÃO UMA CONSEQUÊNCIA NATURAL.

Espiritismo e Reformas Sociais

Por Rita Foelker, 03/11/2019

Como disse Herculano Pires: "do ponto de vista espírita, um fanático espírita é uma aberração, porque o espiritismo é uma doutrina racional que não comporta fanatismo." Para mim, um "fanático espírita" e um "espírita fanático", ambos são contradições em termos. Conceitos que se anulam.

Mas é fanatismo o que tenho encontrado em certos posts de companheiros espíritas (irmãos e irmãs do coração com que já trabalhei, cujo esforço e sinceridade de propósitos pude testemunhar), desde que criaram essa separação de “direita” e “esquerda” entre os espíritas. O discurso padrão da autodenominada esquerda espírita, como fazem as outras esquerdas, basicamente, coloca aquele que não aceita ser rotulado ou se mantém fora da sua turma como homofóbico, machista, fascista, racista, misógino e favorável à tortura, o que é insustentável perante a realidade social. E cria divisões desnecessárias, discussões que não acrescentam, mágoas e inimizades, distância e rompimentos.

Isso é um pacote pronto vindo de fora dos meios espíritas, feito para manipular pessoas, para gerar e aprofundar cisões. Os fatos desmentem essa fala. Gente espalhada em todos os extratos sociais, bastante razoável e dedicada, culta e ciente dos desafios do cenário mundial, que discorda de algumas – ou muitas – das pautas comuns da “esquerda”, também trabalha séria e arduamente por causas sociais, como inclusão, saúde e educação, e causas ambientais. Também almeja a diminuição das desigualdades. Mas os textos excludentes e polarizados, a retórica pasteurizada típica da esquerda, cria uma vala intransponível, onde jazem a possibilidade de diálogo e a liberdade de opiniões políticas, que são inseparáveis de ambientes democráticos. Espíritas, racionais por definição, não têm como aceitar essa dicotomia.

E se você, no exercício do 'livre pensar', propuser um argumento fora da cartilha, se apresentar números e fatos históricos, você pode ser chamado de “não cristão”, como já fui chamada, ou de “não espírita”.

ESSE DISCURSO INFLAMADO SERVE A QUAL PROPÓSITO?

O de formar uma massa de pessoas que gosta de ouvir fábulas do socialismo e se entusiasma por slogans e ideais abstratos, para manipular os desprevenidos e conquistá-los para suas fileiras. E eles são arrebanhados: Ou porque já têm uma tendência opositora/desafiadora não direcionada. Ou porque não analisam profundamente o cenário e desconhecem a História. Ou porque, pelo temperamento apaixonado, tendem a fazer escolhas mais com base na emoção, que na razão. Ou porque caíram na balela de que “Jesus era comunista”. Ou porque veem ali a oportunidade de receber alguma sobra dos espólios da batalha. Ou pelo mais antigo motivo de tantas picuinhas e absurdos que existiram no ambiente espírita – a falta de estudo e conhecimento de Kardec.

E enquanto não nos resguardamos no conhecimento e ação espíritas, o tal discurso, “sempre quello” das esquerdas, me remete à imagem da aranha criando a sua teia quase invisível, porém fatal. Quando a presa descobre onde se meteu, não tem mais como sair. Muitos já estão nessa teia, mas ainda não se deram conta. Boa parte desses entusiasmados ativistas são jovens e imprudentes, no lindo e, às vezes, mal direcionado entusiasmo juvenil.

Agora, se perguntar quem são os “chefes” da esquerda pelo mundo (o falecido Fidel, Maduro etc.), você vai encontrar gente riquíssima governando países onde há pobreza, fome, censura e perseguição política.

Os espíritas à esquerda não percebem que, ao serem capturados nas classificações de “direita” e “esquerda”, entram num grande jogo que visa unicamente criar polarização e que serve aos fins dos que manipulam os impulsos de pessoas com bom coração, baseados na falácia de que o grande problema do mundo é a opressão e que os oprimidos devem se unir e combater o sistema. Isso me recorda uma expressão de Kardec em “Obras Póstumas”, quando se refere àqueles que “pregando a união, semeiam a separação” (em “Os Desertores”).

As esquerdas convencem os ditos “oprimidos” de que são as “pobres vítimas de uma sociedade injusta”, e os alimentam com ideias tolas de que é preciso destruir a riqueza para acabar com a pobreza, quando os verdadeiros ‘cabeças’ do movimento acumulam fortunas indecorosas, porque construídas sobre a miséria e o sofrimento de populações inteiras, sem qualquer remorso.

A pauta da justiça social faz sentido para os que creem na unicidade da existência. Mas não se insere na compreensão espírita da sociedade. Dentro de uma perspectiva espiritual e filosófica, considerando os atributos de Deus, a desigualdade social não traduz uma injustiça real, pois os desníveis sociais representam provas e oportunidades evolutivas necessárias, como lemos n’ “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. (Para não me estender, sugiro buscar o texto publicado na RIE de Julho de 1969, disponível em https://espirito.org.br/.../espiritismo-e-injustica.../)

O ser humano é mais do que um indivíduo numa cadeia de produção de bens, crer ou defender isso é negar os valores cultivados no espírito humano em múltiplas reencarnações.

Quando a Humanidade terrena se elevar moralmente, quando abandonar a ganância, a violência e o egoísmo, quando em seu lugar desenvolvermos o verdadeiro senso de justiça e a fraternidade, as leis serão reformadas e viveremos numa sociedade mais equilibrada, do ponto de vista social e econômico.

Quando citam Léon Denis como um pensador socialista, devem lembrar-se de que, quando ele escreveu “Socialismo e Espiritismo”, as maiores e mais dolorosas experiências do socialismo no planeta ainda não tinham sido colocadas em prática, não havíamos testemunhado amargamente a falência do modelo de sociedade proposto pela cartilha socialista/comunista.

É fato que Jesus pregava a justiça e a igualdade, mas também exortava a “dar a César o que é de César”. Sabemos que ‘César’ é uma expressão que não se refere uma pessoa, mas ao título do então governante de Roma. Refere-se, portanto, ao governo que deve receber nossa contribuição monetária! Mesmo exorbitantes, Jesus nos disse que impostos deveriam ser pagos. Além disso, Jesus não tinha como ser comunista, porque suas ações eram no campo da persuasão e do ensinamento. Jesus convidava a compartilhar o pão, mas não expropriava recursos alheios, fruto do trabalho e construção de gerações de famílias com grande função social e econômica, nem pregava que se obtivesse tais recursos por meio de violência. O único título que Jesus aceitou, em sua passagem pela Terra, foi o de Mestre.

Mestre e exemplo para os educadores, também, foi Allan Kardec. Era ele um militante contra o autoproclamado Imperador da França, Napoleão III? Segundo nos conta Altamirando Carneiro, Kardec era visitado pelo Imperador da França, sobrinho de Napoleão, e com ele tinha longas conversas, pois o soberano tinha grande interesse pelos fenômenos espíritas e procurou o Codificador, repetidas vezes, para falar sobre a doutrina espírita. (http://www.oconsolador.com.br/.../altamirando_carneiro.html) Note como Kardec, em lugar de brigar e criar divisões, não perde a oportunidade de ensinar e esclarecer qualquer alma sedenta de conhecimento.

Na “Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo”, na Revista Espírita de Fevereiro de 1862, Allan Kardec escreve com lucidez e objetividade:

“A tática já posta em ação pelos inimigos dos espíritas, mas que vai ser empregada com novo ardor, é a de tentar dividi-los, criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos deixeis cair na armadilha e tende como certo que aquele que procura, seja por que meio for, romper a boa harmonia, não pode estar animado de boas intenções. Eis por que vos exorto a guardar a maior prudência na formação dos vossos grupos, não só para a vossa tranquilidade, mas no próprio interesse dos vossos trabalhos.”

E continua: “A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Ora, não há recolhimento possível se somos distraídos pelas discussões e pela expressão de sentimentos malévolos.”

Venho notando que alguns casos de excessos que são cometidos no contexto das discussões políticas, entre os espíritas, deveriam ser analisados em nível de influência espiritual e obsessão... Como o caso narrado pela jornalista Ana Cláudia Laurindo no YouTube, sobre o militante espírita que ameaçou matar a palestrante de quem divergia politicamente. Note que esse não é um problema de quem se diz de “direita” e nem é “culpa” da direita, mas da própria divisão que se plantou e criou raízes nos ambientes espíritas. É, antes, um transtorno emocional e comportamental, com influência espiritual bastante provável que, numa casa espírita bem orientada, será atendido como enfermidade da alma por um dirigente e um grupo bem preparados. O enfermo será afastado das atividades e receberá o apoio fraterno para se reequilibrar. Quanto aos temas da política, será atendida a recomendação de Kardec que, a certa altura do texto que vimos transcrevendo, adverte:

“Devo ainda vos chamar a atenção para outra tática de nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com toda razão, despertar suscetibilidades e desconfianças. Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quanto disser respeito à política e às questões irritantes; nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a moral, quando ela for boa. PROCURAI, NO ESPIRITISMO, AQUILO QUE VOS PODE MELHORAR; EIS O ESSENCIAL. QUANDO OS HOMENS FOREM MELHORES, AS REFORMAS SOCIAIS VERDADEIRAMENTE ÚTEIS SERÃO UMA CONSEQUÊNCIA NATURAL. (Allan Kardec, na Revista Espírita de Fev. 1862)

Sugiro enfaticamente a leitura integral do texto cujos trechos colei acima.

Como disse o Drácula para sua filha, em Hotel Transilvânia: “Não dê mole, pra ninguém comer o seu cérebro.”

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